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O que é dízimo e oferta na Bíblia e qual a diferença entre eles

O dízimo representa a décima parte entregue a Deus, enquanto a oferta é uma contribuição voluntária dada com gratidão e generosidade de coração.

Por Redação Giro Gospel
O que é dízimo e oferta na Bíblia e qual a diferença entre eles
Foto: vestman / Flickr (CC BY 2.0)

Na Bíblia, dízimo e oferta são formas de adoração e gratidão a Deus pelos recursos recebidos. O dízimo corresponde à décima parte dos rendimentos ou da colheita, praticado pelo povo de Deus desde tempos antigos. A oferta, por outro lado, é uma contribuição espontânea, sem valor fixo definido, entregue a partir da disposição sincera de quem contribui. Ambos refletem o reconhecimento de que tudo pertence ao Criador e que o ser humano cuida daquilo que recebe.

O dízimo no Antigo Testamento

A primeira menção ao dízimo ocorre bem antes da Lei de Moisés. Abraão entregou a décima parte de tudo a Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo (Gênesis 14:20). Mais tarde, Jacó também fez um voto semelhante ao Senhor no caminho para Harã (Gênesis 28:22). Quando a Lei mosaica foi estabelecida no deserto, o dízimo passou a ser uma determinação formal para toda a nação de Israel.

Naquela época, o dízimo sustentava os levitas e sacerdotes, que não tinham herança de terras e trabalhavam exclusivamente no serviço sagrado (Números 18:21). Havia também dízimos destinados aos estrangeiros, órfãos e viúvas, garantindo amparo social para as famílias pobres (Deuteronômio 14:28-29). No livro do profeta Malaquias, Deus repreendeu o povo por reter esses mantimentos que deveriam manter a casa de Deus devidamente abastecida (Malaquias 3:10).

A oferta nas Escrituras

Enquanto o dízimo possuía a proporção exata de dez por cento, a oferta sempre esteve associada à liberdade e ao louvor. No Antigo Testamento, existiam várias modalidades de ofertas, como as de gratidão, de consagração e pelas faltas cometidas. Na construção do tabernáculo no deserto, o povo foi convidado a trazer ofertas voluntárias, e as pessoas trouxeram tanto que os líderes precisaram pedir para encerrarem as doações (Êxodo 36:5-6).

A oferta expressa a disposição do coração em agradecer por um livramento, celebrar uma bênção recebida ou cooperar com uma necessidade específica da comunidade de fé. Não havia uma quantia prévia estipulada para ela. Cada israelita decidia o que entregar segundo as suas condições de trabalho e a sua própria vontade.

O ensino no Novo Testamento

No Novo Testamento, Jesus menciona o dízimo ao conversar com os religiosos da sua época. Ele apontou a importância da justiça, da misericórdia e da fé, lembrando que o cuidado exterior com a décima parte das ervas não podia anular as atitudes interiores de amor (Mateus 23:23). O Mestre também elogiou a viúva pobre que colocou duas pequenas moedas no cofre do templo, pois ela deu tudo o que possuía com sincera devoção (Lucas 21:1-4).

Nas cartas do apóstolo Paulo, o tema ganha um foco forte na generosidade graciosa e no cuidado mútuo entre as congregações. Paulo ensina que cada um deve contribuir conforme propôs no seu coração, não com tristeza ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria (2 Coríntios 9:7). Além disso, as igrejas primitivas levantavam ofertas para sustentar obreiros e socorrer irmãos que enfrentavam crises e fome (Romanos 15:26).

Como as igrejas compreendem o tema hoje

A aplicação prática dessas passagens varia entre as denominações cristãs. Muitas igrejas ensinam que o princípio do dízimo permanece plenamente válido hoje, servindo como padrão inicial de fidelidade financeira para manter as despesas do templo e o ministério pastoral. Para esses grupos, a oferta é aquilo que o crente entrega além dessa porcentagem básica.

Outras comunidades entendem que a exigência do dízimo pertencia à antiga aliança e que a igreja atual vive sob a graça. Para essas congregações, o modelo do Novo Testamento é fundamentado totalmente na oferta voluntária, sacrificial e periódica, sem a regra dos dez por cento. Embora os costumes mudem conforme a tradição de cada congregação, a maioria dos cristãos concorda que manter a casa de oração e socorrer os necessitados continuam sendo deveres de amor.

Perguntas frequentes

O cristão comete pecado se não entregar o dízimo?

A resposta varia de acordo com a linha teológica de cada igreja. As denominações que consideram o dízimo um mandamento universal entendem que deixar de dizimar quebra um princípio de obediência espiritual. Já as igrejas que defendem a liberdade da nova aliança ensinam que não há pecado na ausência de uma taxa fixa, valorizando a generosidade voluntária e individual diante de Deus.

Quem ganha pouco dinheiro deve ofertar na igreja?

A Bíblia mostra que o valor da contribuição não depende da quantia em dinheiro, mas da sinceridade e do amor de quem entrega. Jesus valorizou muito o gesto humilde da viúva pobre no templo (Lucas 21:1-4). A contribuição não deve comprometer a compra de alimentos nem o sustento essencial dos filhos, sendo praticada com equilíbrio, paz e consciência tranquila.

Para onde deve ser destinado o valor recolhido?

Biblicamente, os recursos arrecadados servem para cobrir os custos do local de culto, sustentar pregadores que se dedicam integralmente ao ministério (1 Timóteo 5:17-18) e apoiar pessoas vulneráveis da comunidade. A liderança cristã tem a missão de administrar esses valores com clareza, honestidade e responsabilidade diante de todos os membros.

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