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Qual a diferença entre a Bíblia católica e a evangélica

A principal diferença está no Antigo Testamento: a Bíblia católica possui 73 livros ao todo, enquanto a Bíblia evangélica contém 66 livros.

Por Redação Giro Gospel
Qual a diferença entre a Bíblia católica e a evangélica
Foto: Ryk Neethling / Flickr (CC BY 2.0)

A principal diferença entre a Bíblia católica e a Bíblia evangélica está na quantidade de livros do Antigo Testamento. A versão católica contém 73 livros ao todo, sendo 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. Já a versão adotada pelas igrejas evangélicas possui 66 livros, sendo 39 no Antigo Testamento e os mesmos 27 no Novo Testamento. No que diz respeito aos ensinamentos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, as duas Bíblias compartilham exatamente o mesmo texto.

A quantidade de livros e os deuterocanônicos

Os sete livros que aparecem na Bíblia católica e não estão na evangélica são Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (também chamado de Sirácida), Baruque, Primeiro Macabeus e Segundo Macabeus. Além desses livros inteiros, a versão católica inclui alguns trechos adicionais nos livros de Ester e de Daniel.

A Igreja Católica chama esses escritos de deuterocanônicos, palavra que significa vindos de uma segunda lista ou cânon. Os evangélicos costumam chamar esses mesmos livros de apócrifos, termo que no contexto histórico indica textos cuja inspiração divina direta não foi reconhecida pela comunidade judaica antiga nem pelos reformadores.

A origem dessa diferença na história

Essa variação começou muito antes do surgimento das denominações modernas. Quando a Bíblia começou a ser traduzida do hebraico para o grego, alguns séculos antes de Cristo, surgiu uma versão conhecida como Septuaginta. Essa tradução grega era bastante popular entre os judeus que viviam fora de Israel e continha esses livros adicionais, que circulavam na época em comunidades de língua grega.

Por outro lado, a comunidade judaica de Israel mantinha o cânon hebraico tradicional, composto apenas pelos livros escritos originalmente na língua hebraica e em partes de aramaico. Quando a Igreja Cristã primitiva começou a se espalhar pelo Império Romano, ela usou com frequência a Septuaginta, o que fez com que esses escritos ficassem conhecidos entre os primeiros cristãos e depois fossem preservados pela tradição católica.

A decisão da Reforma Protestante

No século dezesseis, durante a Reforma Protestante, líderes como Martinho Lutero decidiram revisar os textos bíblicos. O objetivo era voltar às fontes originais de cada escrito. Ao analisar o Antigo Testamento, os reformadores optaram por seguir o cânon hebraico restrito, o mesmo que os judeus sempre reconheceram como inspirado e que continha apenas os 39 livros.

Os reformadores reconheciam o valor histórico, cultural e moral dos livros deuterocanônicos, mas entenderam que eles não deveriam ser usados para fundamentar doutrinas de fé. Anos mais tarde, em resposta à Reforma, a Igreja Católica reuniu o Concílio de Trento e reafirmou oficialmente a lista de 73 livros como inspirados e sagrados para a sua tradição.

A mensagem central compartilhada

Apesar dessa diferença numérica no Antigo Testamento, o coração da mensagem cristã é idêntico em ambas as versões. Todo o Novo Testamento, que narra os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as cartas pastorais e o livro de Apocalipse, possui exatamente a mesma ordem e a mesma quantidade de livros nas duas tradições.

Para o cristão comum, o foco diário da leitura bíblica continua sendo o conhecimento do amor de Deus, o arrependimento e a fé em Jesus Cristo. As diferenças de cânon são temas importantes da história da igreja e da teologia, mas não anulam o fato de que católicos e evangélicos leem os mesmos relatos sobre a salvação da humanidade.

Perguntas frequentes

O Novo Testamento da Bíblia evangélica é menor que o católico?

Não, o Novo Testamento tem exatamente 27 livros em ambas as Bíblias. Os quatro Evangelhos, as cartas dos apóstolos como Paulo, Pedro e João, e o livro de Apocalipse são os mesmos em qualquer uma das duas tradições.

Um evangélico comete pecado se ler os livros da Bíblia católica?

Não há pecado em ler esses livros. A maioria dos estudiosos e pastores evangélicos considera esses textos documentos históricos de grande valor para entender o período entre o Antigo e o Novo Testamento, apenas orientando que não sejam usados para definir regras de fé.

As traduções e as palavras usadas mudam muito de uma Bíblia para outra?

As diferenças no texto principal se devem mais às escolhas dos tradutores e às linguagens adotadas por cada editora do que à teologia em si. Existem versões católicas e evangélicas em português formal e outras em linguagem contemporânea, mantendo o mesmo sentido original das palavras.

Como saber se a Bíblia que tenho em casa é católica ou evangélica?

A forma mais fácil é olhar o índice de livros no início do exemplar. Se o Antigo Testamento contiver Tobias, Judite e os livros de Macabeus, trata-se de uma Bíblia católica; se o Antigo Testamento terminar no livro de Malaquias sem esses livros intermediários, trata-se de uma edição evangélica.

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